24/03/17

O corpo, manhã erguida (e o Ponto de Bauhüte)

Aqui
nu, branco e negro
jaz, em círculo enrolado
sobre a luminosidade luminosa
do lençol - o corpo,

circunscrito
na concha que se forma
ao centro - o nascimento

Nele o ponto negro
interacciona-se
com o quadrado luminoso do lençol

Três vértices:
a mancha negra - o triângulo
e o seu ponto interior;
no centro grita o fogo
sobre o corpo enrolado

Grita na pele
o sexo - a mancha negra
em união com a geometria
do triângulo

Na pele a febre oculta
bebe o ar no corte vertical
em concha
entre as coxas do poema

Quando os lábios
na sede de se darem
se entregam,
ergue-se o gesto que faz a poesia;

e sempre o corpo
branco e negro
na macieza luminosa do lençol,

e sempre o ponto negro a rasgar
o contínuo abstracto do corpo
liso e imaculado anunciando o sexo

Necessidade necessária:
- a ocultação (onde o mel se derrama)
e o sol, como quinta essência
- o ponto de fuga e união
(a perfeição do triângulo)
na junção dos corpos

O interior oculto
onde o mel da terra se cria - e se dá
na força do vinho e da água
e da rosa vermelho-sangue

- altíssima perfeição!

Alvaro Giesta 

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