de Eça de Queirós "contos"

de "Contos" de Eça de Queirós

"dizia Stanislau - Aquelas constelações todas são pó. Pó dos deuses mortos. O céu é um cemitério onde se deve estudar a força do homem: o homem será tanto maior quanto mais céu conquistar, quantos mais deuses expulsar. Expulsou-os do Olimpo,  expulsou Jeová... Expulsará Cristo?" (in o Réu Tadeu)

"a Terra existia desde que a luz se fizera, a 23 (de Outubro), na manhã de todas as manhãs. Mas já não era essa Terra primordial, parda e mole, ensopada em águas barrentas, abafada numa névoa densa (...) (in Adão e Eva no Paraíso)

Quem sou eu

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Barreiro, Setúbal, Portugal
Alvaro Giesta (Vila Nova de Foz Côa, 1950), pseudónimo de Fernando António Almeida Reis. Sócio da Associação Portuguesa de Escritores. Sócio do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD). Membro do “Movimiento Poetas del Mundo” com sede no Chile. "Cônsul de Poetas del Mundo em Barreiro - Portugal" desde Fevereiro 2008 e Membro da Academia de Letras e Artes Lusófonas (ACLAL), Portugal. Publicações Editorias poéticas: Onde os Desejos Fremem Sedentos de Ser; Meditações sobre a palavra, um tributo a Ramos Rosa o poeta do presente absoluto; Há o silêncio em volta - uma poética de guerra; O Retorno ao Princípio - dialéctica Vida-Morte; Um Arbusto no Olhar e o primeiro livro de contos, "entre nós, CUMPLICIDADES". Publicações dispersas em mais de duas dúzias e antologias em Portugal e no Brasil. Colaboração independente em: Jornal online ROSTOS, e nas revistas literárias, impressas, LICUNGO do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora e A CHAMA_folhas poéticas, e ainda na Revista Literária Artesanias, na Argentina, no jornal ex-Notícias do Barreiro e no jornal Balaio de Notícias, no Brasil

08/09/16

O DISCURSO DOS PÁSSAROS (caderno N.º 2 da Coleccção Giesta) - € 5,00 c/portes incluídos

um pequeno-grande poema em 30 fragmentos
Autor: Alvaro Giesta

voo sem asas

1.
passeia-se o ser
entre a voz da loucura e a voz do génio.

perturbam-no místicos céus,
neles há mistérios insondáveis
por descobrir.

desce a rua em hiberno sono
até ao fundo longínquo da cidade adormecida.

2.
na memória
há relâmpagos fulgurantes
que se estilhaçam como línguas
de fogo

na indecisão dos dias
frios e crua.

dizem dele que é alguma coisa
entre o génio e a loucura,

(...)

8.
voláteis são as pétalas
que sobrevoam o corpo do ser
na ausência desse mesmo corpo,

e cortam as asas do vento
rente à superfície do tempo
onde adormece.

9.
quando acorda
os músculos negam-se a ser testemunhas
destas metamorfoses desesperadas,

(...)

11.
faltam-lhe as asas,

e nelas as remiges com que lhe sustentam
e dirigem o voo
para o infinito desconhecido.

12.
se tivesse asas (absurdamente pensa)
saboreava num voo plano e pleno
os aromas da tarde
quando tórrida vertesse sobre
a couraça do ser-ave em que se quis
neste horizonte de inquietações e lágrimas;

depois à noite
mergulharia no poço sagrado da palavra
que todos os dias faz verter
o grito inquieto do voo.

o poeta em frágeis aspirações

17.
ergue o poema
quando
o eclípse se ausenta num gesto
tímido do mar...

ergue-se a voz do poeta
num movimento lento do areal,

onde
as ondas são a transumância do corpo
sedento de ser
que se move em ondas de loucura
nestes gestos da criação

18.
há metamorfoses de medo e solidão
no corpo em que se transmuda:

nele se revivem enigmas (...)
nele se transforma a voz (...)
nele se conduzem notívagas aspirações

no silêncio necessário
para o acto da criação.

28.
(...)
ergue-se a palavra

(essa namorada extraviada do silêncio)

na inesperada onde que nasce
entre a voz da loucura e a voz
do génio: a voz que cria.

29.
a voz que se ergue
da sombra...

nela se interrompe e se começa
nele se busca e se encontra,
ela se inventa num sempre novo navegar;

ela se dá conta de si
e diz que é preciso criar.

no seu silêncio nómada
descobre primaveras na face oculta da sombra
quando dela refulgem laivos de luz
como se fosse a religiosidade do sol
a anunciar o caminho.

3..
murmura o silêncio da noite grandezas
até aí subterrâneas;

acordam vozes submersas no poeta
que fecha os olhos e da sua enorme floresta interior
nasce a imensidão do verso.

cria, assim
da religiosidade da palavra
a força da árvore e do céu.





OBLÍQUO É O TEMPO (caderno N.º 1 da Colecção Giesta) - € 5,00 c/portes incluídos

um pequeno livro com 30 pequenos-grandes poemas
Autor: Alvaro Giesta

marcas do tempo

1.
o tempo deixa no homem marcas
gravadas como precipícios
para toda a eternidade

(...)


2.
correm nas mãos estas marcas
como línguas de fogo sagrado
num cortejo sábio
que a ferocidade do tempo
esculpiu no marulhar incessante da vida

(...)


3.
sincronicamente se ajustam
esses pedaços de tempo

(...)


4.
(...)

esses estratos-milénios
são como cassiopeias que irrompem
do lodoso-chão para a clara luz


5.
são rastros-registos marcas-memórias
cadastros que ficam para sempre
(...)

há sempre uma cidade escondida
(...)
na linha ininterrupta do tempo


(...)


14.
criei em mim a ideia de dizer
do tempo e ao tempo

(...)

que (...)
deixa nas veias o sangue da memória
e ogivas de dor
no corpo
a perpectuar o passado

15.
(...)

- sinto o rumor do tempo
pelo silêncio desta velha casa
murmurar



brado ao tempo

1.
tempo
escrevo-te hoje para te descrever
assim:
- metade do tempo como nós
outra metade bem pior
sempre igual a ti mesmo
ruim

colo o meu tempo por cima do teu
e que vejo nele?
tatuagens
sobre as mesmas tatuagens
coisas doutro tempo longínquo
que este actual esqueceu

12.
ergo este poema
nas linhas do corredor do tempo
onde habitam o fragor do mar
e a escuridão da noite

escrevo
com tinta mais negra que o breu

aqui espero pela luz suave e cândida
da devastadora beleza do mundo

repara na (im)perfeição das coisas

13.
mesmo que o teu corpo tangível
rebente de tédio
na invenção do tempo e do mundo

mesmo que o sulco deixado
pelas palavras no branco papel
nada te digam

mesmo que penses que eu deixo aqui
excessos de nada

mesmo que uma língua teimosa
tolde de penumbra o teu Sul
abre este longo poema e lê-me

14.
quero que saibas
que apesar de todos os revezes
que o tempo sem fim e a vida tem
sempre há Sul dentro de nós

ou pelo menos sempre se faz Sul
dentro de nós Sul-Sol-Calor

15.
calor também pois claro
porque não há Sol sem Sul e sem Calor

ainda que mais das vezes o sul
tenha fome
e crianças estropiadas
e órfãos
e mutilados de guerra

que sendo do sul jamais saberão
o calor e a luz que esse sul pode ter.



Os cadernos da Colecção Giesta

Título: O DISCURSO DOS PÁSSAROS
Autor: Alvaro Giesta
Colecção: os Cadernos da Colecção Giesta

1.ª Edição: Abril de 2016
© Alvaro Giesta - Todos os direitos reservados

Editor: Fernando António Almeida Reis
Concepção Gráfica e Paginação: Fernando António Almeida Reis

textos breves da “Colecção Giesta
N.º 2 - O DISCURSO DOS PÁSSAROS
Tiragem: 300 exemplares

ISBN: 978-989-20-6575-5
Depósito Legal N.º: 407992/16

 CDU 821.134.3Giesta, Cadernos Colecção.02

EDIÇÕESautor
(edição e impressão)
A. José Almada Negreiros, Lt 2-3º Esq
2835-008 Vale da Amoreira

alvaro.giesta@gmail.com
fereis@netcabo.pt
http://www.tambemescrevo.com

Esta edição acabou de se imprimir em Abril de 2016
e dela se fizeram 300 exemplares numerados  de 00 a 299
e assinados pelos autor.



Exemplar N.º 00

______

Outros cadernos da Colecção Giesta a publicar:

textos breves da Colecção Giesta - Ediçõesautor

Publicados:
(Série Poesia)
1. Oblíquo é o tempo [um poema para os povos do sul]
2. O Discurso dos Pássaros

A publicar:
(Série Prosa)
·  da Geometria das Palavras

(Série Recensão, Ensaio, Monografia)
·  da Geometria das Palavras
·  Este Ofício de ser Poeta
·  A poesia do tempo desabitado (como procura e tentativa de resposta)
·  As cartas a um suposto Mestre

28/02/16

Os cadernos da Colecção Giesta

Caderno n.º 1 - Poesia "Oblíquo é o tempo" [um poema para os povos do sul]

Título: Oblíquo é o tempo [um poema para os povos dos sul]
Autor: Alvaro Giesta
Colecção: os Cadernos da Colecção Giesta

2.ª Edição: Fevereiro de 2016
(revista e aumentada)
© Alvaro Giesta - Todos os direitos reservados

Editor: Fernando António Almeida Reis
Concepção Gráfica e Paginação: Fernando António Almeida Reis

textos breves da “Colecção Giesta
N.º 1 - Oblíquo é o tempo [um poema para os povos do sul]
Tiragem: 100 exemplares

ISBN: 978-989-20-6407-9
Depósito Legal N.º: 404381/16

 CDU 821.134.3Giesta, Cadernos Colecção.01

EDIÇÕESautor
(edição e impressão)
A. José Almada Negreiros, Lt 2-3º Esq
2835-008 Vale da Amoreira

alvaro.giesta@gmail.com
fereis@netcabo.pt
http://www.tambemescrevo.com

Esta edição acabou de se imprimir em Fevereiro de 2016
e dela se fizeram 100 exemplares numerados  de 00 a 99
e assinados pelos autor.



Exemplar N.º 99

______

Outros cadernos da Colecção Giesta a publicar:

textos breves da Colecção Giesta - Ediçõesautor

Publicados:
(Série Poesia)
1. Oblíquo é o tempo [um poema para os povos do sul]

A publicar:
(Série Poesia)
·  O discurso dos pássaros

(Série Recensão, Ensaio, Monografia)
·  da Geometria das Palavras
·  Este Ofício de ser Poeta
·  A poesia do tempo desabitado (como procura e tentativa de resposta)
·  As cartas a um suposto Mestre
 

22/08/15



Prefácio ao Um Arbusto no Olhar
por Fernando António Almeida Reis, ortónimo

Prefácio


«(...) Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio (..)»
O Poeta na Rua © António Ramos Rosa

Tardou este livro em ser publicado. Com base na sua proposta final, que é o que define o valor literário da obra, a acontecer na data própria, deveria ter sido logo após a publicação do «Meditações sobre a palavra», porque o completa e complementa, sem outros que foram editados, entretanto, pelo meio. Mas, por vezes o criador tem necessidade de alargar o leque de opções, correndo o risco da criação, ao olhar de outrem, de uma obra dispersa e desconexa. Contudo, ainda que difícil seja a defesa da obra, porque dispersa, nela se pode «recolher a semente para uma futura colheita, não perdendo dessa forma o seu objectivo primordial: criar para além do limite de cada instante.» (Xavier Zarco, in Breves reflexões filosóficas sobre o conhecer, em poesia - publicado em "A Chama, folhas poéticas, n.º 9, 3.º trimestre 2014)
Na sequência daquilo que Alvaro Giesta deixou expresso em nota de autor no seu livro Meditações sobre a palavra, editado em 2011 pela Editora Temas Originais, e ao talhar agora o Um Arbusto no Olhar que seguiu de perto, na sua primeira parte, o desenho traçado para o primeiro, a completar o que se terá proposto escrever sobre o ofício do poeta no manuseio da palavra e com o qual pretenderá encerrar o motivo deste ciclo, dado que todas as suas obras poéticas se vêm desenhando com submissão, cada uma delas, a um mote próprio e específico, quererá reiterar aos leitores que tem procurado sempre o seu desempenho com base na busca da maior perfeição.

Se, no «Meditações sobre a palavra»,
«as palavras nascem / de dentro para fora (...) / (dum) / ventre virgem que se abre ao meio / (e) / recolhe o sémen / que se vai tornar vida»,
em «Um Arbusto no Olhar», desse mesmo
«ventre prenhe / da terra / (onde) / canta a árvore
e o azul / em demanda de novo sol»,
se pode concluir que:
«o ofício do poeta / é mergulhar as mãos no fogo /
no espaço / branco por escrever / é descobrir o vazio / que espera a voz / e o grito / da palavra»,

é saber ver que:
«da hercúlea sombra / que se abre ao meio / regurgita a luz»,
é descobrir que o fenómeno do acto inaugural da palavra se dá no lugar exacto, onde a luz e a obscuridade coincidem e se transformam.
O ofício do poeta é encher o nada, o vazio existente no sítio exacto onde coincidem a luz e sombra, do ardor rubro da palavra, mesmo que este verde nascimento seja um acto tardio na vida do poeta ou no tempo da criação.
É «descobrir o segredo do fogo / e da água / onde a palavra se faz carne / nesta difícil visão alquímica dos contrários».

Se no «Meditações sobre a palavra», ela, a palavra exacta, porque pura alfa  e ómega (princípio e fim), é a semente que «caminhava na sombra das paredes / que se erguem envoltas / num mar duro de pedra / e cal» onde apenas «uma nesga de luz (sai) das trevas / por curto instante /(...)» em demanda de uma possível aproximação ao real e às coisas do mundo,
em «Um Arbusto no Olhar», a palavra deixa de ser semente oculta sob a dura terra antes de nela ter entrado o sémen-água, para se tornar na raiz que firma e no caule que sustenta e ergue os ramos, para se dar a conhecer, para se abrir na inquietude da página, vislumbrando-se entre as suas ramificações, o olhar sequioso por dizer, por fazer a denúncia, a busca, por sondar e descobrir o insondável mistério universal da palavra.
Com a mesma arte com que foi desenhado o «Meditações sobre a palavra», assim foi talhado o «Um Arbusto no Olhar». Sem inspiração, porque ela não existe (!) em Alvaro Giesta, mas fazendo uso do mesmo rigor construtivo no trabalho da palavra que sai da sombra, como o arquitecto ao desenho do edifício, modelando-a como o oleiro ao barro, esculpindo-a e burilando-a como o artífice à pedra, dissecando-a, levando-a ao osso, como o médico legista ao corpo para saber da causa do fim.
O poeta se afirma, mais uma vez, no rigoroso sentido de busca, de construção e emprego da palavra no todo do edifício poético em que se deve empenhar para, nesse labor, dar um verdadeiro sentido literário à obra construída.
Alvaro Giesta, no rigor do uso da palavra ao serviço da linguagem poética, norteou o labor de «Um Arbusto no Olhar» , em duas partes, correspondendo a cada uma trinta poemas:
- na Parte I, o eu-poético ausenta-se do poema para que este seja ele próprio, para que se efectue a junção entre subjectividade e objecto, para que a palavra-sujeito-poético case com o espaço sem a intervenção do eu-poético no mundo do poema;

- na Parte II, o eu-poético integra-se na palavra, vive a palavra, vai de encontro às sensações o que lhe permite vislumbrar novos horizontes, com um olhar sequioso por descobrir o longe, para lá das ramificações do arbusto que se levanta ao olhar do sol.


Fernando A. Almeida Reis, ortónimo
Barreiro, Setembro de 2014


Alguns poemas de O Retorno ao Princípio

eis o invisível monumento

da lucidez:

onde a luz acabou
reacendeu-se
a vida;

o timbre afina-se
no abrir duma janela
que antes de estar aberta
se abriu.

erguem-se do silêncio
as almas
em centrífuga abstracção.

onde
o vento
exunda a escuridão das águas
e cresce
a exumação das coisas inúteis,

a elevação das almas

ao infinito-além.

*

nesta persistência
sombria
do afastamento;

na lúcida passagem
das pulsações,

a morte
tal perfume de estrela
ausente
visita o nascimento.

eu, noutra parte
fecho as pálpebras na misteriosa
bruma,

tu
noutro céu levante
crias de novo
a partir da espuma.

*

naufraga-se num sono

eterno.

onde se ergue
a transparência da solidão
do espaço,

arde,
na fulgidez celeste,
longínqua chama
a despedir-se
da alma desavinda.

inaudível é a força
e estrépita!

emerge
depois, a alma
para fúlgida esfera.

*

desprende-se

para destino enigmático,
do âmago do corpo
extenuado,

a alma sedenta de glória
noutro céu.

a barcaça da morte
atravessa
o lago escuro da noite
onde tudo acaba
e tudo começa.

exaurido
todo o tempo anterior,
refulge
prenúncio de novo dia.

*

a substância

em maturação inclina-se
no seu propenso vagar
para a glória da morte,

e dela
em glória renasce
em novo dia.

do seu fim
acontece todo o princípio.

deslumbra-se,
do corpo que se desintegra
agora,
a alma
que se difunde no abstracto
devir.

*

eis a transparência

da morte,
na partida e obstáculo
para novo espaço:

aqui se funde
e se transforma
em movimento.

que seja coincidente
o silêncio
e a falta dele
e que ao cair se levante
e caminhe,

mesmo que aí termine
o seu andar.

onde tudo termina
se ascenda ao princípio.

Prefácio ao O Retorno ao Princípio
por Dr. José Baião dos Santos

RETORNO?
                                                                                                                       
“Com a razão apareceu, necessariamente entre os homens,
a certeza assustadora da morte”
Arthur Schopenhauer

"O que extingue a vida e os seus sinais, não é a morte,  mas
 o esquecimento. A diferença entre morte e vida é essa."
José Saramago
         
Chegamos ao dia da reconciliação com os nossos enigmas, subimos a bordo e ocupamos o lugar que nos foi destinado na barca de Caronte, para atravessar “o lago escuro da noite”, onde “se ergue/a transparência da solidão” e se anuncia um novo dia que se separa do corpo, sombra da alma – cinza envolta na luz -, “matéria extinta” que nos redime da descrença e eterniza o silêncio da terra sem tempo, nem êxtase. Almas que se erguem do silêncio do profano, sedentas de glória, com a mesma compaixão com que admiramos o sacrifício daquele que se deixou vilipendiar e foi, por fim, vencido. Escreveu Franz Kafka que “No cais ninguém prestou atenção aos recém-chegados (…) ”. Responde-nos Alvaro Giesta: “aqueles que nunca beijaram” porque o mar emudeceu à sua volta. Também na vida nem sempre dão por nós, pela nossa passagem de revoltado animal, decididos a procurar na praia os vestígios de um olhar divino desaparecido na concavidade azul das areias; olha-se vagamente a sombra do corpo na plenitude da luz que se liberta do infinito e atravessa aquela nesga apertada entre dois ponteiros do velho relógio – é a vida! - que assinala a superfície do tempo estagnado para evocar a perene ausência, depois de ascendermos até ao alto da colina e testemunharmos o golpe letal da espada da justiça, despedaçando a nossa carne inocente, enquanto alguém chora nos braços de uma cruz.
“é o retorno à vida” que nos impele para fora da penumbra suspensa da árvore que “atravessa/o ciclo da vida” quando se abre a porta que deixa entrar o vento das montanhas, “o sulco de luz” que arrasta os corpos nus para um sono, agora sem retorno, devido ao cansaço e à dor, e nos faz cativos “dos lábios da terra/da espuma branca sem mar/da sede, da fome, do frio”. Os insensatos dias que sucedem ao despontar da lucidez trazem a descrença e os caminhos parecem-nos inúteis. O “mundo tornou-se pobre e vazio” (Sigmund Freud). Vagueia-se na noite de amargas melodias para expulsar os pesadelos e recuperar o timbre dos sonhos por sonhar que tanto pode ser a estrela fugidia, ou o princípio infinito, ou o tempo do ser, num mundo injusto, inefável, agonizando à medida que se aprofunda o afastamento dos fulgores secretos que acendem os símbolos elementares da vida.     
Que sentido ontológico tem, neste trilho poético, o ser que espreita o abismo dentro de si mesmo, não por efeito da incandescência da alma ou de um acto repousado da consciência? A resposta poderá estar na percepção daquele momento decorrido entre a vigília e o sono, do absoluto vazio, espaço de refúgio “em que coincidem/a sombra e a luz” e que nos informa que “(…) o ser é vazio de toda a determinação que não seja a da identidade consigo mesmo” (in “O Ser e o Nada” Jean Paul Sartre).
“naufraga-se num sono/eterno” e o corpo “ascende ao princípio, escreve indelevelmente o poeta na sombra do abismo, porque a abolição de todas as fronteiras ente a vida e a morte, porta aberta ao retorno do ser, projecta o espaço livre que ganha maior nitidez através do movimento, da incandescência, transmitidos pela alma ao corpo antes deste atingir o seu estado de maturação. E assim aperfeiçoa o seu tempo do ser, conforme vimos anteriormente!
Organicamente “o Retorno ao Princípio”, revela-se ao leitor sob uma dupla face: MORTE e VIDA. Quer a Morte - invisível lucidez que apaga alguns dos sinais de uma travessia, repouso fatal, reacendimento das almas, “prenúncio de um novo dia” -; quer a Vida - sonho por desvendar, beijo de fogo no silêncio, espuma branca, grito na escuridão, medo da morte disfarçada, entrando em nós como um punhal -, concedem-nos um sentimento de amor à palavra vertida no sangue que enfrenta mistérios e ritos, e persistentemente renova o nosso destino, “caminho/à beira-lágrima/onde um deus se perdeu”, chão pisado de memórias indesejadas. Partilhamos vida e morte, num só movimento do tempo, vagueando como duas aves na palma da mão dos infinitos céus, enquanto a clarividência da palavra dos deuses não é senão uma metáfora sobre o império da fé que por milénios nos tem servido de guia e nos tem dividido. O nosso destino é o sol-infinito instalado no espaço vazio e frio da morte, onde o ser “contradiz-se e faz-se/de novo abismo”. O acto poético apresenta-se nestes versos de engenhoso compromisso de Alvaro Giesta, como mediação de sentido do inatingível, voz silenciosa entre dois mundos opacos, dois lugares tão próximos quão longínquos pontuados de muitas incandescências – da alma, do sonho, e das ausências do corpo e da divindade!
Escreveu o Prof. Eduardo Lourenço, no já distante ano de 2000 sobre como falar de poesia: “Vendo bem, foi para dar voz a um excesso de sentido que a poesia nasceu: excesso de entusiasmo para nos celebrar como deuses imaginários do nosso destino ou melancolia de não ser esse mesmo deus que no fundo sabemos ser. É sempre a sós connosco que vivemos estes abismos que nos medem. Os deuses são a sombra deles. Mas não conheceríamos essa incandescência de nós mesmos sem os imaginarmos.”
Cada uma das partes, Morte e Vida, de que se compõe a obra expande-se por “terreno alheio”, como se de terreno próprio se tratasse. Nisto reside o processo da diálectica Vida-Morte que cimenta a edificação lírica. Na realidade o que o poeta procura em cada uma das partes, é a parte correspondente à outra, enquanto resultado de uma certa complementaridade. Por isso, Morte e Vida, nem sempre se apresentam como faces antagónicas do ser, a substância perecível que incorpora o princípio e precede a ausência do corpo.
tu e eu somos duas partes
da mesma parte
deste ser”
(…)
Alvaro Giesta
Fazendo, por vezes, uso de algum mimetismo de valores simbólicos, comumente aceites pela metafísica e no plano religioso, como se estivesse na iminência de se inclinar “sobre o fim/prestes a ser/princípio”, o poeta perscruta as entranhas da morte, a matéria diáfana que emana “do âmago do nada/existente/entre a penumbra e a luz”. Enquanto isto, algures, o sémen da vida vai transformando o universo desconhecido e intemporal em verbo.     
Terá dito, já lá vai tempo, o escritor Lobo Antunes que ninguém sabe o que é a morte, mas que não faz muita diferença porque também nunca sabemos o que é a vida.
Como última nota quero deixar-vos, caros leitores, o meu agradecimento ao poeta Alvaro Giesta por me ter convidado a integrar esta expedição “Vida-e-Morte”, o que me permitiu entrar na sua órbita poética, na qualidade de atento satélite errante. Aquele abraço fraterno!

                                                           José Baião Santos Abril 2014
Posfácio ao O Retorno ao Princípio
por Fernando António Almeida Reis (ortónimo)

Nota introdutória
Na qualidade do meu verdadeiro nome, Fernando A. Almeida Reis e na sequência das tertúlias poéticas levadas a cabo pelo Clube de Poetas KAFÉ-KAFKA/BVQ, a cujo núcleo pertenço, produzi o ensaio subordinado ao mote "Dialéctica Vida-Morte" (aqui reproduzido apenas na parte a que diz respeito a Alvaro Giesta meu pseudónimo literário e autor deste volume), tendo por base os poetas Antero de Quental (sec. XIX), Manoel de Barros, Hilda Hilst, Fernando Echavarría e o já citado Alvaro Giesta, todos do sec. XX, levando em linha de conta que os mesmos se debruçaram, na sua poética, sobre esta inquietante problemática.
Pela motivação que o mote tertuliano produziu, em mim, como poeta Alvaro Giesta, levou-me a escrever o "O Retorno ao Princípio" (numa dialéctica Vida-Morte), que ora dou por reproduzido, não sem antes deixar aqui e em nota de fim do livro, aquilo que ao último poeta em estudo diz respeito, tema tratado tão audaciosamente e com estupefação recebido pelos assistentes ao evento.

Corpo do ensaio

Um dos “papéis” da arte poética é expressar sentimentos humanos e transmitir, de forma subjectiva, aspectos da nossa realidade – medos, angústias, anseios, desgraça, pobreza...  tudo quanto seja marginal e que, a maioria dos nossos poetas de hoje fogem a retratar.
O novo, o desconhecido, é algo que nos assusta enquanto seres humanos em quem o receio está presente, em quem a expectativa é uma constante aliada ao medo da dor e da dor na morte que ela nos possa causar. E como vamos nós pensar nesse desconhecido que começa onde a vida acaba e a morte começa?
No fazer poético de alguns poetas, a Morte não é o fim de um ciclo. Ela é transmutação. É apenas o trânsito, a passagem breve para outra vida, passagem ainda que fatal, pela fatalidade que o fenómeno Morte encerra, um ponto de passagem, obrigatório para todos os seres vivos. É apenas a passagem para outra vida, com princípio no próprio fim. Ela é, não deixando apenas de ser o fim, também o princípio que começa onde esse fim termina.

Aqui falo do pensar e fazer poético de Alvaro Giesta, meu pseudónimo literário, que não tendo rigorosamente nada a ver, nem eu, na qualidade de escritor, nem o meu pseudónimo na qualidade daquilo que ele é - o poeta-, com o pensamento de certas religiões, a que sou literalmente avesso. Enquanto poeta Alvaro Giesta, a liberdade da palavra, no uso poético que lhe dou, permite-me, aqui, filosofar um pouco acerca da morte. A morte, que é a garantia da ordem no mundo dos homens, que é o que concede o diálogo, pois, no mundo humano adquire-se a vida através da morte. Só, assim, a vida tem sentido.

O filósofo Maurice Blanchot dizia que "a morte é a base de todo o alicerce humano diferentemente do que ocorre no mundo literário". No texto poético as palavras adquirem uma maior liberdade pela soma inesgotável de temas que se nos propõem à imaginação trabalhando a matéria desses temas com a arte poética que eles merecem. Daí que, considere, que não há morte em literatura. A impossibilidade da morte diz respeito ao não-fim. Ou seja, a finalidade da morte que nos surge diariamente na linguagem normal das evidências, não existe na linguagem poética. Mesmo quando poetas como Fernando Echevarría nos dizem que a morte é o fim e que, para além da morte nada mais há senão o fim; o nada; o vácuo.

Mas é exactamente esse fim poético que vai dar origem a novos olhares na poética de Alvaro Giesta, no tema Vida-Morte, à tal "espuma" de Echevarría que lhe foi princípio. Porque, no seu entendimento, é no nada e do nada que nasce a linguagem poética; é aí, no preciso lugar "onde a luz e a obscuridade coincidem e se transformam", que se dá o acto inaugural da palavra. À semelhança, e contrariando Echevarría que na sua linguagem mais filosófica que meta-poética diz que para além da morte nada mais há senão o nada, a morte, em Giesta, é o retorno ao princípio a partir do nada onde se dá o acto inaugural da vida.
A linguagem poética, neste caso na enfatização da morte pela palavra, não procura uma finalidade, uma explicação, não procura atingir algo, atingir um fim - isto, é para as religiões e seitas. Na linguagem poética a palavra não morre. A palavra, se morre, é para dar vida à palavra nova porque "a palavra é a vida dessa morte", como nos diz o filósofo Maurice Blanchot e o poeta Alvaro Giesta, num dos poemas iniciais de "o Retorno ao Princípio".

" eis / o invisível monumento / da lucidez: // onde a luz acabou / reacendeu-se / a vida; // o timbre  / afina-se / ao abrir duma janela / que antes de estar / aberta / se abriu // erguem-se do silêncio / as almas / em centrífuga abstracção... // onde / o vento / exunda a escuridão das águas / e cresce / a exumação das coisas inúteis, / há / a elevação das almas/ ao infinito-além "

Como se vê neste poema, há no autor Alvaro Giesta, como dialéctica existencial, um horizonte de expectativas enquanto epifania possível de um tempo novo. Não tendo nada a ver com qualquer tipo de credo religioso, é apenas a sua expressão mais alta no fazer poético em que se debruça Alvaro Giesta neste tema Vida-Morte que lhe inspirou o livro poético, ora em apreço e chamado O Retorno ao Princípio.
Aliás, esta experiência neste autor é como que uma vontade subjectiva de atenuar o sofrimento comum a todos os mortais, principalmente aos camponeses enterrados por uma vida nas serranias do nordeste transmontano, que lhe é a sua origem, para quem a morte é dor no luto com que vestem a alma e o corpo, muitas vezes para o resto da vida, mas também, esperança de que para lá do fim comece um novo princípio mais radioso.         
É como que uma praxis criadora inspirada na fé de todos os domingos nas capelas das aldeias onde enchem os bolsos aos padres com promessas que lhes vendem na expectativa de um mundo melhor e mais justo e um lugar cativo no céu, enquanto  rasgam os joelhos em penitência no culto aos seus mortos que, por detrás da mesma capela muitas vezes repousam.

A felicidade, na descrição da morte para o poeta Alvaro Giesta (felicidade nos moldes em que ele a descreve), quando "em erráticos poemas" poetisa o momento em que seu pai descansa no esquife, ainda que sendo ela, fim, este fim não deve ser equiparado ao términus, no sentir e no querer poético do poeta, enquanto Nada e Morte mas, sim, enquanto “fim no começo”. Ela, a morte, para o poeta, é o princípio, é a busca do Além, é o retorno ao princípio. E ela será felicidade, ligada à esperança no pressentimento do Bem-Supremo.

A morte é o tal "monumento invisível" onde a luz se reacende, é o tal "abrir de uma janela / que antes de estar / aberta / se abriu " e donde "se erguem /as almas" e "se elevam / ao infinito-além".
É a tal praxis criadora inspirada na fé num deus que, embora podendo não ser o seu (e seguramente o não é), é o daqueles desvalidos que n’Ele acreditam; aqueles, que o poeta canta; aqueles sobre quem ele se debruça; aqueles por quem ele, poeta, se outra. É a imaginação do poeta na busca incansável do inalcançável, na busca de vencer o fracasso, de vencer a morte. Quantas vezes o poeta até faz lindos poemas sobre a feia morte… prefaciando o poeta, "o poeta é um fingidor".

" desprende-se / para destino enigmático, / do âmago do corpo / extenuado, / a alma sedenta de glória / noutra esfera. // a barcaça da morte / atravessa /o lago escuro da noite, / onde tudo acaba / e começa / novo dia, // a substância, / em maturação inclina-se / no seu propenso vagar
para a glória da morte, // e dela / em glória renasce / em novo dia, / sendo que do seu fim / acontece todo o princípio. // deslumbra-se, / do corpo que se desintegra, / agora / a alma / que se difunde no abstracto / devir."

Vida e Morte são interdependentes. Existem simultaneamente. Uma não existe sem a outra. Ou melhor, existencialmente, Vida e Morte fundem-se uma na outra. A morte ronda continuamente a vida, é um facto contínuo na própria vida, pois “morremos ao nascer; o fim já existe desde o começo”. Já Sócrates, condenado pela cicuta à morte, quando a sua mulher correu aflita para a prisão gritando-lhe; “Sócrates, os juízes condenaram-te à morte!” ele, o filósofo, calmamente respondeu: “Eles também já estão condenados”. Filosofando, preparou-se para a morte. Porque, como dizia Santo Agostinho, “é somente em face da morte que nasce a individualidade do homem”. Afinal, Freud tinha razão quando dizia que “a morte é o final necessário e inevitável da vida”. Vida que, se a quiser suportar, me tenho que preparar para a morte.
Desde o instante em que nascemos, começamos a morrer; cada dia vivo é um dia a menos nas nossas vidas, na nossa existência. É a nossa condição existencial. Porém, sendo a morte um dos fenómenos inevitáveis, o poeta não deve deixar de reflectir na sua finitude como ser humano. Mais uma vez o entendimento do poeta Alvaro Giesta que tem da morte a ideia como causa necessária da vida:

"morte / doce irmã do sono / descanso fatal da dura vida… / liberta-se o espírito / com o som e a cor da morte. // desperto da ilusão–ideia / neste puro entender / o enigma da morte não–fantasma… / olha-se pela ideia / de que a morte é libertação."

A morte, em poesia, é um dos temas actuais muito pouco tratados mas que nos devia merecer pesquisa e preocupação. Principalmente porque, se ela nos amedronta, também é ela, porque existe, que nos dá a única e definitiva certeza da vida. E, se para uns é esperança de um novo princípio, mais radioso, ainda, para outros poetas, como Fernando Echevarría, ela também é certeza do desgaste que a idade não perdoa.
(...)
Quando me decidi a escrever sobre o tema, pensei que isto até seria uma brincadeira séria. Mas, ao mesmo tempo, até me assustei ainda que eu goste de esgrimir com a morte. Já a senti, por vezes, sob dois aspectos: quando em guerra, assustadora; quando em situações de doença de difícil entendimento clínico ou noutras situações de desespero e desilusão, convidativa. Apelativa, até! Também tive ocasiões em que vi a vida morrer-me nos braços, ensanguentada, horripilante e aí senti a morte repulsiva e indesejável. Misteriosa, quando não se sabe porquê! Porque é que ela nos bate à porta, logo a nós e nessas ocasiões.
Foram estes diversos factores que me fizeram autopsiá-la quanto à poesia. E procurei poetas que lidassem com a morte com o mesmo à vontade com que, de permeio, lidam com o amor – o elo aglutinador que estabelece pontos de confluência nesta dialéctica dizível VIDA – MORTE.

A morte, para os crentes num mundo melhor, é sempre “passagem para uma vida definitiva” – assim a decifrou S. Paulo; já Eurípedes, o trágico poeta grego, reflectia que “morrer deve ser como não haver nascido / e a morte talvez seja melhor até que a vida / de dor e mágoas, (…)”; ao contrário, Fernando Pessoa considerou-a um “enigma”.
Seja como for, a realidade é que a morte é um facto – é o cessar completo e definitivo de vida de um ser vivo – que muitas vezes se deseja sem medo, bem diferente desse que se sente quando o morto-vivo permanece ligado à vida através daquelas máquinas complicadas e tubos a emoldurar a cama em que se deita, sem saber que ali está naquele estado vegetativo.

Em Alvaro Giesta é algo desafiador interrogar a morte, desafiar a morte, desafiar esse limite do homem sobre o controlo da natureza… talvez esse sentimento de inconformidade tenha a ver, não com o medo da morte propriamente dita, mas com o medo do sofrimento físico e emocional decorrente dela; medo da dor, da incapacidade física, da incompreensão dos outros homens válidos, da falta de liberdade de poder ser, por si só, medo da solidão.

(...) na penúltima peça sobre o autor Alvaro Giesta no enigma Vida-Morte,  vê-se a sua coragem ao enfrentar o fim no seu “Testamento à Morte”, que aqui, pela sua extensão, não se dá por reproduzido. Nele, patente, o desabafo–desespero final do poeta diante da irreversibilidade no curso das coisas que nos atingem em níveis muito profundos e diferentes; a descrença no divino e a vontade de não sofrer quando a doença incurável é a marca irremediável neste percurso da finitude humana.
Não é o negar da morte neste seu poema omitido, neste momento de cultura contemporânea; é, outrossim, ousar falar dela com coragem, imaginá-la, compreendê-la e aceitá-la. Mas também é um não-crer que a morte unifica e reforça os laços de amizade. Ideias da morte e dos seus rituais como aspecto da sociedade que podem unir pessoas ou separar grupos, não está na perspectiva poética de Alvaro Giesta. Mas também não é vontade do poeta que enfatize a morte com sentimentos de dor, que muitas vezes é uma dor fingida, nem com rituais de exploração do corpo, em fim de vida, que perspectivem uma busca do conhecimento que passa pela sensação da impotência científica.
(...)


Fernando A. Almeida Reis, ortónimo